1. Do ovo ao Nascimento 1.1. Os ovos e as ootecas Os ovos das aranhas são esféricos e raramente ultrapassam o milímetro de diâmetro. Geralmente são brancos, cremes ou amarelados mas podem ser de tons rosados, castanhos ou verdes. Nas aranhas, os ovos nunca são deixados directamente expostos ao meio ambiente. São depositados em grupos compactos e envoltos com seda. A este invólucro e respectivos ovos, dá-se o nome de ooteca. Nos casos mais simples, como na fêmea de Pholcus phalangioides que se vê na imagem ao lado a carregar os ovos nas quelíceras, a ooteca consiste apenas num aglomerado de ovos envoltos em alguns fios escassos. No entanto, normalmente, a ooteca é formada por duas camadas espessas de seda que são depois unidas em volta dos ovos. Cada ooteca pode conter um número variável de ovos entre 2 a 2 000 de uma forma geral. Existem vários tipos, formas e cores de ootecas e cada aranha pode fazer apenas uma ou várias em cada ano dependendo da espécie. O facto de os ovos se encontrarem protegidos por uma ooteca, possui diversas vantagens, como, por exemplo, a manutenção da humidade e temperatura certas no seu interior protegendo os ovos de grandes variações e permitindo o seu desenvolvimento de forma menos dependente das condições externas. Outra vantagem é a protecção que oferece contra predadores de ovos ou parasitas. A seda, por ter propriedades antibióticas, protege também os ovos de serem atacados por fungos e bactérias. Muitas vezes, esta protecção é potenciada pelos cuidados das fêmeas como será descrito mais à frente. Numa ooteca, não é apenas o aspecto que varia mas também o tipo de seda utilizada e o processo de fabrico. As aranhas usam diversos tipos de seda para sua a construção e frequentemente na mesma ooteca são empregues dois ou três tipos distintos de seda com propriedades características. Nas imagens seguintes, podemos ver três exemplos de ootecas diferentes: Anelosimus vittatus com uma ooteca esférica, de seda macia e branca; Araniella cucurbitina com uma ooteca esférica revestida de seda rija, amarela e emaranhada; Cyrtophora citricola com duas ootecas juntas, achatadas de seda muito rija e cor branca-amarelada que a aranha cobre pouco a pouco com detritos e restos de presas.
  
1.2. Os ninhos A maioria das aranhas constrói ninhos. Estes servem para proteger a aranha enquanto põe os ovos ou para protecção das ootecas e, dependendo da espécie, a aranha pode ou não abrigar-se no seu interior para defender os seus ovos. O ninho pode ser construído propositadamente apenas na altura das posturas ou pode ser o mesmo abrigo que a aranha utiliza durante o seu ciclo de vida. As nossas espécies apresentam uma enorme variedade de ninhos, que podem inclusivamente utilizar outros materiais além da seda: folhas, detritos e pedras. 1.3. A seda Todas as aranhas, sem excepção, são capazes de produzir seda. Usam-na para diversos fins: dependendo da espécie, pode ser usada para construção (ootecas, ninhos, teias de captura, abrigos), caça, defesa, orientação e segurança.
A seda é um produto de excreção das glândulas sericígenas (ver anatomia). Embora diferentes tipos de glândulas, produzam diferentes tipos de seda, todos são maioritariamente constituidos por proteínas do grupo das fibroínas.
Quando está nas glândulas, a seda é uma substância líquida solúvel em água, depois de passar pelas fúsulas, transforma-se numa substância sólida insolúvel. Desconhece-se como é feita esta transição. Cada fio de seda é composto por uma estrutura de proteínas em cadeias alfa e paliçadas beta. Estas últimas, estão dispostas em ziguezague como o fole de um acordeão formando cristais proteicos. Estes, por sua vez, encontram-se envoltos por uma matriz de aminoácidos e cadeias alfa desordenadas. Os cristais proteicos conferem a força ao fio de seda enquanto a matriz amorfa possui propriedades elásticas. A força e elasticidade de um fio depende também da percentagem de água presente na sua estrutura. Fios com baixo teor de água são rijos, fortes mas quebram mais facilmente se forem muito esticados. Fios com elevado teor de água podem expandir-se mais de 300% o seu comprimento original antes de partir. Nas teias de araneídeos, por exemplo, encontramos fios de baixo teor em água, não pegajosos e pouco elásticos a servir de suporte à teia e fios muito elásticos e viscosos, de elevado teor em água, na zona de captura das presas. 2. Desenvolvimento
2.1. Muda 3. Dispersão 4. Alimentação 4.1. A captura de presas De uma forma muito generalizada, podemos dizer que as aranhas capturam presas de duas formas: com ou sem teias. Em ambos os casos, as estratégias de captura são extremamente variadas. De seguida, serão dados alguns exemplos gerais de espécies da nossa fauna. 4.1.1. Teias Frequentemente, encontramos referidos na bibliografia, diferentes tipos de teias, no entanto, uma classificação das teias pode ser extremamente complicada já que cada aranha constrói diferentes estruturas com inúmeras variações entre espécies. Algumas aranhas, no entanto, usam claramente estruturas feitas de seda para capturar passivamente (mais raramente activamente) as suas presas. Estas são, em sentido estrito, as verdadeiras teias. Outras estruturas, terão outras funções como as ootecas de proteger os ovos, os ninhos para as mudas ou defesa e, não raramente, estão interligadas zonas de captura e zonas de defesa ou a mesma estrutura pode ter ambas as finalidades. Qual a origem das teias e como evoluíram são questões ainda pendentes para as quais não existem explicações consensuais. Enquanto alguns autores sustentam que as teias orbiculares sejam as mais "evoluídas", outros defendem que não será assim. Em todo o caso, independentemente da altura em que tenham surgido em termos evolutivos, algumas são mais complexas que outras. Por uma questão prática, farei uma análise geral aos "tipos" de teias começando pelas menos complexas até às mais elaboradas.
5. Reprodução 6. Ciclos de vida 7. Inimigos naturais Apesar de serem predadores bem sucedidos, as aranhas possuem um grande número de inimigos naturais que variam imenso de acordo com a espécie de aranha.
Os quilópodes (centopeias), embora possam ser predados por algumas espécies de teridiídeos e licosídeos, (especialmente os scutiguerídeos que são uma presa comum de Hogna e Lycosa), são importantes predadores principalmente de aranhas de solo. Dentro dos aracnídeos, além das próprias aranhas, como vimos em cima, muitas espécies são predadas por escorpiões, predadores vorazes de aranhas de solo que constituem parte importante da sua dieta. Poucas aranhas são capazes de enfrentar um escorpião, com excepção, provavelmente para os grandes teridiídeos que os predam.
Os Ácaros são um grupo muito diverso sendo alguns parasitas de aranhas e outros predadores dos seus ovos. Os Solífugos predam inúmeras espécies de aranhas, principalmente espécies pequenas que capturam no solo.
Dentro do grupo dos insectos, está incluída a grande maioria das presas das aranhas em Portugal mas também importantes predadores. Por ser um grupo tão vasto, a lista de relações entre aranhas e insectos seria interminável, assim, realçam-se apenas os mais importantes:
Coleópteros: Alguns podem ser predadores de pequenas aranhas de solo como seja o caso de carabídeos, cicindelídeos ou estafinelídeos.
Himenópteros: Possivelmente um dos grupos de inimigos naturais com maior importância, existem espécies de himenópteros predadores e parasitóides de aranhas como os pompilídeos ou os esfecídeos que predam essencialmente araneídeos e licosídeos. Dictiópteros: Os mantídeos (louva-a-deus) são predadores de muitas espécies de aranhas, quer do solo, quer herbígradas ou arbustícolas. Ortópteros: Dentro deste grupo, incluem-se numerosas espécies de gafanhotos e grilos que são parte fundamental da dieta de muitas aranhas, no entanto, algumas espécies omnívoras podem ocasionalmente predar algumas aranhas mais debilitadas ou ovos desprotegidos.
Os vertebrados serão, se não o mais importante, certamente um dos mais importantes grupos de inimigos naturais das aranhas. Quase todas as aranhas podem fazer parte da dieta de anfíbios (rãs, relas, sapos, salamandras e tritões), répteis (cobras, lagartos, lagartixas, fura-pastos, camaleões), aves e mamíferos (principalmente ratos, musaranhos, ouriços, gatos, saca-rabos, doninhas e outros mustelídeos).
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